O Instituto Nacional da Propriedade Industrial concedeu o registro da Indicação Geográfica Poção, em Pernambuco, para peças artesanais produzidas com renda renascença. O reconhecimento foi publicado na Revista da Propriedade Industrial nº 2.908, de 29 de setembro de 2026.

Na espécie Indicação de Procedência, o registro reconhece que o nome “Poção” se tornou conhecido como referência na produção artesanal da renda renascença.

Sinal da Indicação de Procedência Renda Renascença de Poção
Identidade visual da Indicação de Procedência Renda Renascença de Poção, em Pernambuco.

O que foi reconhecido pelo INPI?

O registro protege o nome geográfico “Poção” como indicação da procedência de peças artesanais com renda renascença produzidas na área delimitada e em conformidade com as regras da Indicação Geográfica.

Na data da concessão, o Brasil passou a contar com 182 Indicações Geográficas registradas pelo INPI: 138 Indicações de Procedência — 137 nacionais e uma estrangeira — e 44 Denominações de Origem — 34 nacionais e dez estrangeiras.

Esses números correspondem à situação existente em 29 de setembro de 2026 e podem ser ampliados por novos registros concedidos posteriormente.

O que significa uma Indicação de Procedência?

A Indicação Geográfica identifica produtos ou serviços relacionados a determinado território. Na espécie Indicação de Procedência, o reconhecimento recai sobre o nome de um local que se tornou conhecido como centro de extração, produção ou fabricação de um produto, ou de prestação de um serviço.

No caso de Poção, o fundamento é a reputação consolidada do município como centro produtor da renda renascença. A proteção não transforma a técnica artesanal em propriedade exclusiva de uma pessoa ou empresa. Ela protege o uso do nome geográfico como referência de procedência.

Por isso, a IG também não equivale a uma marca individual. Seu uso possui natureza coletiva e depende da localização na área delimitada, do cumprimento das condições estabelecidas e dos mecanismos de controle previstos para a indicação.

Uma técnica ligada à história de Poção

A renda renascença é produzida manualmente com linha, agulha e lacê — uma fita que serve de base para a construção dos desenhos. Originária da Europa no período do Renascimento, a técnica chegou ao Brasil por intermédio dos portugueses e foi inicialmente desenvolvida em conventos e instituições religiosas.

Segundo a documentação apresentada ao INPI, a técnica chegou a Poção na década de 1930 por meio de Maria Pastora, que havia aprendido o ofício no Convento Santa Teresa, em Olinda. Ela transmitiu seus conhecimentos à artesã Elza Medeiros, conhecida como Lala, que passou a ensinar outras pessoas da região.

Em meio às dificuldades econômicas provocadas pela seca, a produção da renda tornou-se uma importante alternativa de sustento para as famílias locais. O conhecimento passou a ser transmitido oralmente, de mãe para filha e de mestra para aprendiz, consolidando a relação entre a atividade e o território.

O protagonismo feminino na preservação do saber

A história da renda renascença em Poção é marcada pela participação das mulheres. Foram elas que preservaram, ensinaram e aperfeiçoaram a técnica ao longo das gerações, contribuindo tanto para a identidade cultural do município quanto para sua economia.

Reconhecida pelo Governo de Pernambuco como “Capital da Renascença” desde 2011, Poção passou a ocupar posição de destaque na produção desse artesanato. Suas peças alcançam mercados nacionais e internacionais, especialmente nos segmentos de moda, decoração e arte.

A IG torna visível não apenas o produto, mas também a memória coletiva e o trabalho das rendeiras que construíram a reputação reconhecida pelo INPI.

Quais são os efeitos da proteção?

A Indicação Geográfica permite diferenciar as peças legitimadas a utilizar o nome “Poção”, protege a referência territorial contra usos indevidos e comunica ao público a relação entre o artesanato e sua origem.

O reconhecimento pode favorecer a valorização econômica das peças, a organização coletiva das produtoras, a preservação da técnica e o fortalecimento do turismo cultural. Esses resultados, porém, dependem de governança, controle do uso da indicação e observância do caderno de especificações técnicas.

Para o consumidor, a IG funciona como uma informação sobre procedência e reputação. Para as artesãs, representa a transformação de um patrimônio cultural coletivo em ativo de Propriedade Industrial, sem retirar da renda renascença sua natureza tradicional e comunitária.

Fontes

Este conteúdo possui finalidade exclusivamente informativa e educacional. Não constitui consulta, parecer jurídico ou autorização para uso da Indicação Geográfica. As condições de utilização dependem das regras da IG e da análise da situação concreta.